A aveia é um dos alimentos mais controversos em se tratando de dieta sem glúten. Originalmente, a aveia nasceu sem glúten. Mas a maioria das que encontramos hoje nos mercados, contém essa proteína devido a um processo chamado de “contaminação cruzada”, seja com o trigo, com a cevada ou o centeio. Vale dizer que existe aveia sem glúten para vender. Mas é tipo Papai Noel, muita gente acredita, mas ninguém nunca viu de verdade.
O glúten se transforma numa espécie de cola ao chegar no intestino e é ainda mais perigoso para os portadores da doença celíaca. Para eles, essa proteína ataca o sistema imunológico e danifica a mucosa do intestino delgado, diminuindo e até impossibilitando a absorção dos nutrientes.
Não sou portadora da doença, mas ao começar minha reeducação alimentar, minha nutricionista sugeriu que tirássemos o glúten por um tempo. Eu estava com uma colite severa e o glúten poderia estar prejudicando minha saúde. Dito e feito! Fiz um exame de intolerância alimentar e lá estava ele! Um mês após a retirada de alimentos com glúten, diversos sintomas haviam desaparecido, assim como vários centímetros de gordura abdominal.
Uma das substituições que eu fiz, foi trocar a aveia pelo amaranto em flocos, no café da manhã.
Assim como a quinoa, o amaranto não contém glúten e pode ser encontrado nas seguintes formas: GRÃOS, FARINHA e FLOCOS.
- GRÃOS — basta cozinhar em água já fervente, no fogo baixo, por 20 minutos. Na proporção de 1 copo de amaranto para 2 de água. Dá pra fazer de tudo. Eu já testei colocar um copo de amaranto na sopa de legumes caseira. Fica ótimo!
- FLOCOS — também pode ser colocado por cima de sopas, do iogurte, na salada de frutas ou em sucos;
- FARINHA — serve como base para pães e biscoitos sem glúten … mas atenção: a recomendação é misturar cerca de 1/4 de farinha de amaranto com outras farinhas, pois se for usado somente a de amaranto, a massa tende a ficar muito densa, pesada. Ahh! uma dica é usar a farinha de amaranto para dar uma encorpada no molho branco. Ele absorve água muito facilmente. Essa característica é o que lhe dá grandes propriedades emulsificantes (espessantes).
Se olharmos apenas os valores nutricionais, veremos que 100 gramas de aveia contém 17 gramas de proteína, contra 14 do amaranto. Porém quem sai ganhando é o amaranto. Suas proteínas são de alto teor biológico (aquelas com todos os aminoácidos essenciais que o corpo não produz). Outra vantagem é que as proteínas primárias são “albuminas” e “globulinas”. As albuminas e as globulinas são consideradas mais fáceis de digerir do que as proteínas do trigo, por exemplo, chamadas de ”prolaminas”.
O alto teor de lisina também é o destaque e o que diferencia o amaranto dos outros grãos. A lisina é fundamental para absorção do cálcio, para a produção hormônios e anticorpos e, de quebra, ainda ajuda na síntese do colágeno, componente importante para a saúde dos ossos, cartilagens e pele. Já falamos sobre o colágeno aqui.
Além disso, a lisina estimula a produção de creatinina, que é responsável pela conversão de ácidos graxos em energia. Nesse processo, o nível de colesterol, especialmente o LDL (colesterol ruim), se reduz no corpo. E foi exatamente isso que pesquisadores do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP comprovaram: o amaranto reduz o colesterol ruim.
O grãozinho é ainda fonte de fibras, zinco, fósforo e cálcio bio disponível (que é mais facilmente assimilado pelo organismo), outro fato incomum nos vegetais.
Se é tão bom assim, por que é tão caro e raro de encontrar?
Infelizmente a produção mundial ainda é pequena e poucas instituições estão comprometidas em estudos sérios sobre o grão. Mas vale lembrar que a soja passou por fase parecida, na qual não tinha expressão econômica e hoje o Brasil é o maior produtor da planta no mundo. Oremos para que ocorra o mesmo com o Amaranto! ;-)
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